quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Liberdades

Olá meus fiéis,

ah!..a liberdade!

Como escreveu Cecília Meireles no famoso Romanceiro da Inconfidência "Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta/ Que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".

Existem várias liberdades. Liberdade de ir e vir, que na realidade não existe, excluindo, claro, os passeios imaginários. Temos o desejo inato de ir/vir ou vir/ir como algo superior e anterior a nós. Contudo, por prudência ou algum outro problema não podemos ir onde queremos nem sair de onde não queremos.

Há também a liberdade de ser realmente quem é, entretanto, penso eu, que esta ainda paira perto das estrelas...sonhamos com ela, a vemos todos os dias, achamos que está perto, mas na realidade a distância é abismal, quer dizer, galática. ("Qual o sinal da libertação? Não mais se envergonhar diante de si próprio!" Quando Nietzsche Chorou - Irvin D. Yalom).

Liberdade poética...huuuuuuuuum talvez a mais palpável de todas e extremamente saborosa. Podemos escrever qualquer coisa (péssima ou excelente) e teremos sempre como defesa a licença poética (Será que erros gramaticais também podem ser considerados linceça poética também??? rsrsrsrs). Mais profundo que isso é a gostosura da invenção de novas palavras, re-sentidos pra ressentir vetustas palavras, uma única frase traduzindo vidas inteira, oceanicas possibilidades de interpretações. Características esquizofrênicas!!!??? Que seja, então!

Liberdade para decisões. Decisões são sempre dolorosas pra mim, pois optar por um caminho significa abandonar outro. Como saber qual deles é realmente "O Caminho", como evitar a nostalgia dos outros tantos não escolhidos mas não preteridos!!?? Mas ai é que está, esse é o ponto de virada, o segredo, a hora da estrela (perdoe-me Clarice) é fazer do caminho tomado o mais belo, luminoso, florescente, oportunístico, imarcescível...verdejante.

Liberdade amorosa...possibilidade de amar vários amores ou vários amares para um amor ou ainda infinitos amares para grandes amores. Há também um outro lado da liberdade, a anistia, a abolição de um amor escravizante. No início você não sabe o que fazer muito bem com tanta liberdade e na verdade nem a deseja...mas depois que experimentamos é dito: "adeus gaiola" e voamos mais leves...tal passarinhos. Existe um texto do Affonso Romano de Sant'Anna que fala do "melhor amor" e do "pior amor", postá-lo-ei em breve...interessantíssimo!!!

"Escravizaram assim um pobre coração
É necessário a nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria, amor
Não vou, não quero"

(Autonomia - Cartola)

Voem...sempre, mesmo que presos.

Cordiais saudações

Mi

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