Estou me sentindo tão fora de mim. Como é atordoante estar separada de mim. Como é aterrorisante sentir vazio. Sou sempre preenchida por sentimentos e agora não sei o que sentir. "O peso de sentir, o peso de ter que sentir" (Bernado Soares/Fernando Pessoa).
É duro ter o peito vazio, mas quero ser cruel agora. Preciso ser cruel. Necessito deixar de sentir para sentir de novo. Alias, já deixei de sentir a muito tempo.
Meu Deus me ajude com a incompreensão de mim e de ti.
Antes eu cheia de dor e agora vazia de sentimentos...a situação não mudou.
Medo de não ser...medo de não me tornar-me (reduntante assim mesmo)...ai como doi e como é maravilhoso/deslumbrante o vir-a-ser enterno. Oh Pai, rogo que eu não me canse nunca.
Sinto náuseas, fecho os olhos e meu corpo gira. Desejo voar despida de tudo até mesmo de asas...quem sabe assim seria apenas espírito! E contraditoriamente finco as barras da minha própria prisão.
Que necessidade de tentar proporcionar o bem estar alheio. Seria bondade ou apenas carência?
Cordiais saudações
Mi
domingo, 27 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Das vantagens de ser bobo
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo
Clarice Lispector
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo
Clarice Lispector
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
MiróNão é por me gavar
mas eu não tenho esplendor.
Sou referente pra ferrugem
mais do que referente pra fulgor.
Trabalho arduamente para fazer o que é desnecessário.
O que presta não tem confirmação,
o que não presta, tem.
Não serei mais um pobre diabo que sofre de nobrezas.
Só as coisas rasteiras me celestam.
Eu tenho cacoete pra vadio.
As violetas me imensam.
Manoel de Barros
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Liberdades
Olá meus fiéis,
ah!..a liberdade!
Como escreveu Cecília Meireles no famoso Romanceiro da Inconfidência "Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta/ Que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".
Existem várias liberdades. Liberdade de ir e vir, que na realidade não existe, excluindo, claro, os passeios imaginários. Temos o desejo inato de ir/vir ou vir/ir como algo superior e anterior a nós. Contudo, por prudência ou algum outro problema não podemos ir onde queremos nem sair de onde não queremos.
Há também a liberdade de ser realmente quem é, entretanto, penso eu, que esta ainda paira perto das estrelas...sonhamos com ela, a vemos todos os dias, achamos que está perto, mas na realidade a distância é abismal, quer dizer, galática. ("Qual o sinal da libertação? Não mais se envergonhar diante de si próprio!" Quando Nietzsche Chorou - Irvin D. Yalom).
Liberdade poética...huuuuuuuuum talvez a mais palpável de todas e extremamente saborosa. Podemos escrever qualquer coisa (péssima ou excelente) e teremos sempre como defesa a licença poética (Será que erros gramaticais também podem ser considerados linceça poética também??? rsrsrsrs). Mais profundo que isso é a gostosura da invenção de novas palavras, re-sentidos pra ressentir vetustas palavras, uma única frase traduzindo vidas inteira, oceanicas possibilidades de interpretações. Características esquizofrênicas!!!??? Que seja, então!
Liberdade para decisões. Decisões são sempre dolorosas pra mim, pois optar por um caminho significa abandonar outro. Como saber qual deles é realmente "O Caminho", como evitar a nostalgia dos outros tantos não escolhidos mas não preteridos!!?? Mas ai é que está, esse é o ponto de virada, o segredo, a hora da estrela (perdoe-me Clarice) é fazer do caminho tomado o mais belo, luminoso, florescente, oportunístico, imarcescível...verdejante.
Liberdade amorosa...possibilidade de amar vários amores ou vários amares para um amor ou ainda infinitos amares para grandes amores. Há também um outro lado da liberdade, a anistia, a abolição de um amor escravizante. No início você não sabe o que fazer muito bem com tanta liberdade e na verdade nem a deseja...mas depois que experimentamos é dito: "adeus gaiola" e voamos mais leves...tal passarinhos. Existe um texto do Affonso Romano de Sant'Anna que fala do "melhor amor" e do "pior amor", postá-lo-ei em breve...interessantíssimo!!!
"Escravizaram assim um pobre coração
É necessário a nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria, amor
Não vou, não quero"
(Autonomia - Cartola)
Voem...sempre, mesmo que presos.
Cordiais saudações
Mi
ah!..a liberdade!
Como escreveu Cecília Meireles no famoso Romanceiro da Inconfidência "Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta/ Que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".
Existem várias liberdades. Liberdade de ir e vir, que na realidade não existe, excluindo, claro, os passeios imaginários. Temos o desejo inato de ir/vir ou vir/ir como algo superior e anterior a nós. Contudo, por prudência ou algum outro problema não podemos ir onde queremos nem sair de onde não queremos.
Há também a liberdade de ser realmente quem é, entretanto, penso eu, que esta ainda paira perto das estrelas...sonhamos com ela, a vemos todos os dias, achamos que está perto, mas na realidade a distância é abismal, quer dizer, galática. ("Qual o sinal da libertação? Não mais se envergonhar diante de si próprio!" Quando Nietzsche Chorou - Irvin D. Yalom).
Liberdade poética...huuuuuuuuum talvez a mais palpável de todas e extremamente saborosa. Podemos escrever qualquer coisa (péssima ou excelente) e teremos sempre como defesa a licença poética (Será que erros gramaticais também podem ser considerados linceça poética também??? rsrsrsrs). Mais profundo que isso é a gostosura da invenção de novas palavras, re-sentidos pra ressentir vetustas palavras, uma única frase traduzindo vidas inteira, oceanicas possibilidades de interpretações. Características esquizofrênicas!!!??? Que seja, então!
Liberdade para decisões. Decisões são sempre dolorosas pra mim, pois optar por um caminho significa abandonar outro. Como saber qual deles é realmente "O Caminho", como evitar a nostalgia dos outros tantos não escolhidos mas não preteridos!!?? Mas ai é que está, esse é o ponto de virada, o segredo, a hora da estrela (perdoe-me Clarice) é fazer do caminho tomado o mais belo, luminoso, florescente, oportunístico, imarcescível...verdejante.
Liberdade amorosa...possibilidade de amar vários amores ou vários amares para um amor ou ainda infinitos amares para grandes amores. Há também um outro lado da liberdade, a anistia, a abolição de um amor escravizante. No início você não sabe o que fazer muito bem com tanta liberdade e na verdade nem a deseja...mas depois que experimentamos é dito: "adeus gaiola" e voamos mais leves...tal passarinhos. Existe um texto do Affonso Romano de Sant'Anna que fala do "melhor amor" e do "pior amor", postá-lo-ei em breve...interessantíssimo!!!
"Escravizaram assim um pobre coração
É necessário a nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria, amor
Não vou, não quero"
(Autonomia - Cartola)
Voem...sempre, mesmo que presos.
Cordiais saudações
Mi
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Quem...
Olha ae!! O coração é um pregador de peças.
"Quem sabe saber o que sente" (Fernando Pessoa). Tão complicados esses joguinhos amorosos. Prometemos amar sem estratégias, sem combates e concorrência...mas até quando isso dura, em!!!!??? Alguém tem a ousadia de me dizer? A resposta é: não! Poucas pessoas querem ser sinceras consigo e quase ninguém consegue (o que raios é quase ninguém!?). Até quando dura o amor??? Será que me tornei uma mulher amargurada ou simplesmente compreendi que o amor nesse planeta, ainda tão para trás, não pode ser exercido como realmente é...na sua essência. "Amamos" por uma necessidade de sobrevivência, na verdade, necessitamos do outro para suprir algo que nos falta. E dizemos que o amado(a) nos completa (suspiros...)!!!
Por favor, não me condenem ainda!!! Tenho ciência de que vou sempre me apaixonar e ser apaixonada...gosto de gostar e por essa paixão de vida sofro e sofrerei muito (Deus me ajude!!!). Acredito no amor e sempre vou bramir pelos amantes e pelo amar! Pois um dia aprenderemos o que caracteriza o amor e saberemos que ele é meio e não o fim.
Enquanto isso não chega...temos de controlar ou esconder (como preferir) a posse, o ciúmes, a traição, as mentiras, os carinhos, os desejos de solidão não compreendidos, as vontade de companhia em momentos inusitados, os rompantes, o insólito desejo, os arroubos de paixão e tantas outras coisas que só os enamorados sentem, entendem e vivenciam...
Viver...reviver...vivênciar...
Como amar sem nos proteger depois de uma decepção??? Só com uma certa....digamos, maturidade (a palavra não é essa, mas até encontrar a adequada fica essa mesmo!) de saber que a vida dói...que ainda não somos verdadeiros, não somos donos de ninguém e muito menos de nós.
Quem há de julgar as veredas dos amores...e mais uma vez...."Quem sabe saber o que sente?" (Fernando Pessoa)
Cuidado com a loucura!
Não esqueçam, por favor, EU ACREDITO NO AMOR.
Cordiais saudações
Mi
"Quem sabe saber o que sente" (Fernando Pessoa). Tão complicados esses joguinhos amorosos. Prometemos amar sem estratégias, sem combates e concorrência...mas até quando isso dura, em!!!!??? Alguém tem a ousadia de me dizer? A resposta é: não! Poucas pessoas querem ser sinceras consigo e quase ninguém consegue (o que raios é quase ninguém!?). Até quando dura o amor??? Será que me tornei uma mulher amargurada ou simplesmente compreendi que o amor nesse planeta, ainda tão para trás, não pode ser exercido como realmente é...na sua essência. "Amamos" por uma necessidade de sobrevivência, na verdade, necessitamos do outro para suprir algo que nos falta. E dizemos que o amado(a) nos completa (suspiros...)!!!
Por favor, não me condenem ainda!!! Tenho ciência de que vou sempre me apaixonar e ser apaixonada...gosto de gostar e por essa paixão de vida sofro e sofrerei muito (Deus me ajude!!!). Acredito no amor e sempre vou bramir pelos amantes e pelo amar! Pois um dia aprenderemos o que caracteriza o amor e saberemos que ele é meio e não o fim.
Enquanto isso não chega...temos de controlar ou esconder (como preferir) a posse, o ciúmes, a traição, as mentiras, os carinhos, os desejos de solidão não compreendidos, as vontade de companhia em momentos inusitados, os rompantes, o insólito desejo, os arroubos de paixão e tantas outras coisas que só os enamorados sentem, entendem e vivenciam...
Viver...reviver...vivênciar...
Como amar sem nos proteger depois de uma decepção??? Só com uma certa....digamos, maturidade (a palavra não é essa, mas até encontrar a adequada fica essa mesmo!) de saber que a vida dói...que ainda não somos verdadeiros, não somos donos de ninguém e muito menos de nós.
Quem há de julgar as veredas dos amores...e mais uma vez...."Quem sabe saber o que sente?" (Fernando Pessoa)
Cuidado com a loucura!
Não esqueçam, por favor, EU ACREDITO NO AMOR.
Cordiais saudações
Mi
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